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Acabo de vender uma casa: onde investir agora o dinheiro?

15 mar 2019
Acabo de vender uma casa: onde investir agora o dinheiro?
António decidiu-se por fim. Recebeu um conjunto de ofertas interessantes para a casa que tinha à venda e duvidou se era o melhor momento para fechar a operação ou ainda poderiam os preços subir mais. Afinal, acabou por aceitar a última proposta... "não vá ser que...". De repente, mais de 300 mil euros na conta bancária: e agora que fazer com eles? Onde investir este dinheiro?

Como António, muitas pessoas decidiram vender as suas casas nos últimos tempos, face à forte recuperação do mercado imobiliário. Dados do INE mostram que, em 2018, até ao terceiro trimestre, foram vendidas 132.270 casas, mais que nos últimos 10 anos (em todo o ano de 2016, por exemplo, foram transacionadas 127.106). Ainda não são conhecidos os valores finais do ano de 2018, faltam contabilizar os do último trimestre, mas seguramente terão sido vendidas mais casas que em 2017 (153.292). E todos enfrentam o mesmo dilema agora: o que fazer a este dinheiro?

E não é fácil. A rentabilidade assegurada dos depósitos a prazo é algo que pertence ao passado. Já não se pagam juros, como consequência da política de baixos juros do BCE. A bolsa e as emissões de dívida podem oferecer rentabilidade, mas em troca há que assumir maior risco, devido à volatilidade dos mercados, e aceitar ver periodicamente fortes quedas temporais como as do último trimestre de 2018. E deixar o dinheiro debaixo do colchão também não é uma opção, porque a inflação acaba por ir "comendo o bolo" pouco a pouco.

Para evitar o bloqueio, os assessores recomendam começar por perguntar-nos que destino queremos dar a esta liquidez que acabámos de gerar. Não é a mesma coisa se vendemos o nosso imóvel para comprar outro maior, ou se é para ajudar a ter uma melhor reforma ou para pagar uma melhor educação aos nossos filhos.

Como explica Borja Nieto, fundador da Micappital e um dos vencedores do concurso Finect Asesor Top 2018, em Espanha, "se estamos a vender para comprar uma nova casa e aproveitar assim as vantagens da isenção de mais-valia por reinvestimento numa residência habitual, talvez não valha a pena investir, mas sim ter o dinheiro na conta". Porquê? Ao ter de realizar-se o reinvestimento, segundo as normas do Código do IRS, num período que vai desde 24 meses antes da venda do imóvel que gera mais-valias e até 36 meses após tal venda, não há tempo suficiente para que seja feita uma aplicação que dê frutos.

Que nível de risco podes assumir?

Se temos mais tempo, e uma vez saibamos para que queremos o dinheiro, os especialistas acreditam que não há muitas mais opções do que a rentabilidade variável, agora mesmo. Sobretudo, face aos atuais baixos níveis das taxas de juro e à previsão de que se mantenham em mínimos, o que inclusivamente poderá provocar perdas nas rentabilidades fixas.

Mas que percentagem investir? Para isso, é fundamental conhecer o risco que estamos dispostos a assumir, face ao contexto pessoal e profissional de cada um: "É importante que o investidor saiba até que ponto vai poder aguentar possíveis quedas temporais, sobretudo quando o dinheiro vem de um ativo, como o imobiliário, onde o preço não muda todos os dias, como no caso das rendas variáveis", acrescenta Nieto.

Não fazer todos os investimentos de uma só vez

Quando já soubermos quanta volatilidade podemos tolerar... que fazer depois? Carlos Gómez, outro dos vencedores do  Finect Asesor Top, aconselha a ir pouco a pouco. "Não me lançaria de cabeça com tudo o que tenhamos em liquidez, se não que aconselharia uma estratégia para investir de forma períodica", explica.

Isto tem duas vantagens. Em primeiro lugar, "suavizam-se os preços de entrada", detalha Gómez, o que reduz as possibilidades de comrpar no pior momento, como tantas vezes acontece aos particulares; e, em segundo, o investidor vai-se relacionando pouco a pouco com o risco, evitando que grandes sustos pontuais tenham um impacto demasiado alto no conjunto do seu património.

Nieto explica que na Micappital, ainda que dependa de cada cliente em concreto, costumam aconselhar a realizar os investimentos em cinco partes. E sem aplicar tudo, deixando antes uma parte em liquidez - recomendam à volta de 20%, como valor orientativo -, para necessidades de curto prazo. "Ou também porque, muitas vezes, acabam por encontrar uma nova oportunidade no mercado imobiliário antes do previsto".

Evitar produtos com pouca liquidez

Por isto mesmo, cuidado com acudir a produtos que possam ter muito menos liquidez ou inclusivamente penalizações pela retirada do dinheiro antes de um determinado prazo. Este pode ser o caso de produtos como os fundos garantidos, planos de pensões ou rendas vitalícias...

Os assessores realizam os investimentos a partir de fundos de investimento, pela sua maior diversificação e tratamento fiscal face ao investimento em ações. Seja com fundos tradicionais ou com carteiras de fundos de baixas comissões para reduzir os custos a longo prazo.

Isso sim, recordam sempre com o dinheiro que não se vá necessitar no curto prazo e sem ir além do risco que cada investimento pode assumir segundo o seu perfil.

Fonte: idealista

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